sexta-feira, 20 de maio de 2016

ÉPOCA DE 1951/52

PLANTEL



Artur, Arsénio, Félix, Corona, Bastos, José Águas, Joaquim Fernandes, Francisco Ferreira, Moreira, Rogério, Rosário, Batalha, José Costa, Lara, Mascarenhas, Gomes Reis, Jacinto, Bráulio, Joaquim Teixeira, Baptista, António Manuel e Manero

TREINADOR

CÂNDIDO TAVARES

MELHOR MARCADOR

JOSÉ ÁGUAS - 34 GOLOS

RESULTADOS



CURIOSIDADES

Em 28 de Maio do ano de 1952, o Benfica foi convidado para a inauguração do velhinho Estádio das Antas, que hoje já nem existe. Mas esta é uma das datas que muitos adeptos do FC Porto não querem relembrar.


Recuemos até esse dia que marcou a História do Futebol Clube do Porto e faz parte também da História do futebol português.




Com toda a solenidade que se impunha, o FC Porto inaugurou o Estádio das Antas, numa cerimónia que contou com a presença de 50 mil pessoas. Para o efeito, foi convidado e esteve presente o Presidente da República, o General Craveiro Lopes, que fez questão de ir ao relvado agraciar o FC Porto, colocando a Medalha de Mérito Desportivo sobre o estandarte do clube e passando revista à guarda de honra que estava presente, formada por um batalhão de milícias da Mocidade Portuguesa. Terminada a parte mais protocolar da cerimónia, seguiu-se a muito esperada partida de futebol, onde se contou com outro
convidado de honra... o Sport Lisboa e Benfica.



O jogo não correspondeu às expectativas azuis e brancas, uma exibição tão desastrosa que se chegou a pôr em causa a sobriedade dos jogadores do clube portista. Facto desmentido pelos atletas e explicado antes pela demora de toda a cerimónia antes do jogo, onde os jogadores portistas estiveram obrigatoriamente a assistir, enquanto os jogadores do Benfica permaneceram serenamente acomodados nos balneários. De qualquer das formas, de forma estrondosa e que ainda hoje deixa corados alguns adeptos do emblema azul e branco, o FC Porto foi vergado por claros... 2-8!


No fim, o Benfica levantou, com muito esforço e um grande espírito colectivo, um troféu que pesava nada mais nada menos do que 18 kg de peso. Há quem diga que vem daí o célebre lema "Carrega Benfica". Só nunca se conseguiu chegar à conclusão se foi devido aos esclarecedores 8 golos marcados ou se devido aos 18 kg de peso do troféu conquistado.




A ficha de jogo desse dia:

F.C. Porto-Benfica: 2-8

Árbitro: Vieira da Costa

F.C. Porto: Barrigana (Graça); Virgílio, Carvalho, Pinto Vieira, Alfredo e Romão; Hernâni, Araújo (Vital), Monteiro da Costa, José Maria e Vieira.

Benfica: Bastos; Artur e Fernandes; Moreira, Félix e Francisco Ferreira; Corona, Arsénio, José Águas, Rosário e Rogério.

PRESIDENTE

JOAQUIM FERREIRA BOGALHO

Considerado por muitos benfiquistas o maior presidente de sempre, pela vontade e fé com que desenvolveu o seu trabalho ao longo de várias décadas ao serviço do Benfica, merece sem dúvida um lugar de destaque.
De forte personalidade, presidiu aos destinos do clube pela primeira vez em 15 de Março de 1952. Foi sucessivamente reeleito em 31 de Janeiro de 1953, em 30 de Janeiro de 1955 e finalmente em 18 de Fevereiro de 1956. Entrou para sócio em 1914 com o nº 801 e quando faleceu em 1 de Outubro de 1977 era o nº 44. Durante esse espaço de tempo foi vice-secretário da Direcção entre 1926 e 1928, delegado da Direcção junto da Comissão da Secretaria, pertenceu à Comissão do Futebol em 1928 e1929 e fez parte da Comissão do 25º Aniversário do clube. Em 1931 era o tesoureiro e em 1933 delegado da Divisão de Honra da Associação de Futebol de Lisboa.
De espírito empreendedor e insatisfeito, de todos estes lugares pediu sempre a demissão antes do fim dos mandatos, por discordar das orientações seguidas. Tal não aconteceu com o cargo de director-suplente do campo, que exerceu e, 1936 e 1937. A partir daí a demissão foi palavra que ele próprio baniu da sua vida associativa. Em 7 de Agosto de 1932 e em 1938, ocupou o lugar de tesoureiro da Direcção.
Em 31 de Agosto de 1940 presidiu ao Conselho Fiscal, tendo anteriormente feito parte da Comissão dos Estatutos e Regulamentos. Foi novamente delegado da Direcção junto da Comissão da Secretaria e da Comissão de Festas do 28º Aniversário, em 1931/32. Em representação do clube fez parte da Divisão de Honra da A.F. Lisboa de 1931 a 1933, embora neste último ano como suplente. Em 1937 e 1938 foi novamente suplente do director de campo; em 1947 foi nomeado para a Comissão Revisora dos Estatutos e Regulamento Geral, Lugar do qual não tomou posse; em Março de 1947 encontrava-se na secção de futebol, que teve de abandonar por razões pessoais.
De 1948 a1951 foi efectivo no Conselho Consultivo e Jurisdicional do clube. Fez parte do grupo que elaborou o plano para angariação de fundos do novo campo em 1949 e dois anos depois era relator do Conselho Fiscal.
Presidiu em 1952 à Comissão para a Construção do Novo Parque de Jogos e um ano depois presidiu também à Comissão da Elaboração do Programa das Festas das Bodas de Oiro do SL e Benfica. Em 1955 pertenceu à Comissão de Angariação de Fundos para a Construção da Piscina. Como obra mais marcante, deixou para a posteridade a construção do estádio do Sport Lisboa e Benfica. Os sócios atribuíram-lhe em 31 de Julho de 1938 a "Águia de Ouro", na sequência do galardão de "Sócio Honorário" do Sport Lisboa e Benfica. Foi, sem dúvida alguma, um dos presidentes do clube mais importantes no historial benfiquista.

CRÓNICA DA ÉPOCA


Ao contrário da edição anterior, o Campeonato de 1951/52 esteve longe de ser um passeio leonino. Ferido no seu orgulho, o Benfica deu luta ao leão até ao fim, acabando por terminar apenas a um ponto dos leões, que assim conquistaram o Bi-campeonato.
A três jornadas do fim, a luta ainda era a quatro (Sporting 35, Benfica 34, FC Porto 34 e Belenenses 34), mas o sprint leonino acabou com a resistência dos azuis de Lisboa e Porto e só o Benfica aguentou, mantendo a diferença de um ponto até ao fim, esperando em vão pela escorregadela do leão que nunca chegou.