sexta-feira, 24 de junho de 2016

GRANDES NOMES

ANTÓNIO BASTOS LOPES




A primeira vez que António Bastos Lopes concedeu uma entrevista de página inteira ao jornal “A Bola” caminhava, inexoravelmente, para a veterania. Ele que tantas vezes poderia ter sido noticia, enquanto filha da actualidade. Era daqueles que não davam muito nas vistas. Era, afinal, um cultor da sobriedade. Tal como no campo, também aos media passava um tanto despercebido. Só que ninguém lhe tira o mérito da eficácia, em quase vinte anos de afeição à mesma camisola, à mesma divisa.



Foi descoberto em Odivelas, pelo então seleccionador do futebol juvenil, David Sequerra, que o convocou para a equipa nacional. O Tó Lopes, como era conhecido nessa altura, não perdeu o merecimento, suscitando mesmo a cobiça dos maiores do burgo. Meses depois, estacionava na Luz, ainda na década de 60. Assim foi até1986!



Com tudo de verdade, surgiu na Antas, no dia dos enganos, corria a temporada de 72/73. Eram outras as portas que Abril abriu. As da equipa principal. Numa época que aos anais passaria. Um Benfica invicto, apenas com dois empates (FC Porto e Atlético) cedidos, no melhor registo de que há memória. Era a equipa maravilha de Hagan, na qual Bastos Lopes se foi paulatinamente integrando.




Só a partir de 75/76, começou a jogar com regularidade. Nessa época, com Mário Wilson no comando técnico, foi quase sempre utilizado a lateral-esquerdo, ocupando Artur o lado oposto da cortina defensiva. Ele que havia sido avançado e médio nos escalões juvenis, recuava em termos tácticos, passando a lateral-direito, sobretudo a partir da saída de Artur para o Sporting. Em 81/82, com Baroti, depois com Eriksson e nos consulados técnicos posteriores, estabeleceu-se a central, formando dupla de prestigio com o capitão Humberto Coelho.


Jogou 14 anos consecutivos na equipa sénior. Disputou quase 400 jogos oficiais, tornando-se 11º futebolista mais utilizado de sempre no Benfica. Conquistou sete Nacionais, cinco Taças e duas Supertaças. Por uma dezena de vezes vestiu a camisola nacional, numa altura em que gigante era a concorrência para o seu posto.

Impassível na função, seguro a intervir, corajoso a lutar, sempre mentalmente forte, António Bastos Lopes marcou uma época no Benfica. De ouro e de prata foi.





Épocas no Benfica: 15 (1972/1987)
Jogos: 380
Golos: 4

Títulos: 7 CN, 5 TP e 2 ST