quarta-feira, 20 de julho de 2016

GRANDES NOMES

PADINHA



Paulo Padinha, ao contrário de Diamantino, foi mesmo bicampeão. “Vinha dos juniores e, no primeiro ano, comecei logo a jogar. O Eriksson gostava de mim, mas eu também sabia que ele era de apostar nos jovens. No Gotemburgo [que venceu a Taça UEFA em 1981/1982] sempre o fez. E como eu já estava no Benfica desde os 15 anos, e até já tinha feito uns jogos de preparação com a primeira equipa, quando lá cheguei, já conhecia toda a gente e toda a gente me conhecia. Foi fácil.”, recorda Padinha, hoje com 52 anos.

Era o adjunto Toni quem traduzia o treinador sueco logo que este deixou de se fazer acompanhar por um intérprete. Os dois mantêm uma boa relação de amizade até hoje.

O pior veio mais tarde, logo na primeira época com Eriksson, quando contraiu uma lesão. Foi o começo do fim para um dos mais promissores médios centro da sua geração. “A lesão no joelho era grave, mas era recuperável. Fui operado e tudo. O problema foi que, quando voltei a treinar, caí sobre o tal  joelho [direito] e destruí as cartilagens todas. Nunca voltei a ser o que era. Tinha 20 anos. E com 20 anos, tens é que jogar. Quando terminei a minha carreira, com 28 anos, no Estrela da Amadora, já só jogava com o pé esquerdo. A perna direita não servia para nada. E sempre fui destro.”, explica.

Padinha é o quarto na fila de cima, a contar da esquerda para a direita. Jogou no Benfica desde os 15 anos.
Padinha é o quarto na fila de cima, a contar da esquerda para a direita, aqui com plantel de 1982/1983. Jogou no Benfica desde os 15 anos.



Padinha, que hoje é mediador de seguros, mas até começou por ser vendedor de automóveis quando abandonou o futebol, revela que o segredo do sucesso do bicampeonato foi o próprio Eriksson: “O plantel era muito bom, tínhamos os melhores jogadores em Portugal. Mas o Eriksson foi uma ‘pedrada no charco’ até para os mais velhos, como o Bento ou o Humberto. Não se treinava assim em Portugal. É verdade que o futebolista português sempre foi tecnicamente do melhor que há, mas com o Eriksson passou a deixar de querer resolver tudo individualmente, e passou a pensar o futebol de um modo muito mais bem organizado, tanto na defesa como no ataque. Mas sobretudo no ataque. Com ele era tudo pensado em detalhe. Nada voltou a ser como era.”

Mas se Sven-Göran Eriksson não dizia uma palavra de português no começo, e até dispensou o tradutor ao fim de pouco tempo, como é que os jogadores compreendiam o que ele dizia nas palestras? “No início ele só falava sueco. E quando deixou de ter o tradutor, passou a falar inglês. Era o próprio Toni que nos dizia o que ele queria de nós. Não sei se o dizia bem, se o dizia mal, eu nem sei se o Toni falava assim tão bem inglês, mas o Eriksson nunca se queixou. Mas isso também não era importante. O futebol é universal. Só tem uma língua.”, conclui.