quarta-feira, 6 de julho de 2016

GRANDES NOMES

ARTUR SANTOS



Em Paço de Arcos nasceu, a trocar o passo aos atacantes contrários se destacou. Artur Santos, integérrimo jogador, marcou a retaguarda benfiquista ao longo da década de 50. Com estilo vigoroso, eficiente, disciplinado, impositivo, à direita ou ao centro, atravessou várias sensibilidades técnicas sem infamar. Ao percorrer a maratona da dedicação, sucessivamente avalizado foi por Ted Smith, Cândido Tavares, Alberto Zozaya, Ribeiro dos Reis, José Valdivieso, Otto Glória e Bélla Guttmann.



Começou nos Onze Unidos, ao pé da casa, mas o chamamento do Benfica não o deixou indiferente. Treinou-se à experiência no Campo Grande e logo veio a integrar a equipa júnior, orientada pelo antigo guardião Cândido Tavares. Na época subsequente à conquista da Taça Latina, subiu a sénior, estreando-se em Novembro de 50, devido à lesão de Jacinto. O Benfica venceu (7-1) o Boavista, tendo Félix, Francisco Ferreira, Rogério, Águas e Rosário, entre outros, alinhado no debute.



Em 1954, Artur Santos passou ao eixo da defensiva, com o propósito de substituir Félix Antunes, que havia sido suspenso pelo clube por provada indisciplina. A tarefa era intricada, mas a resposta afirmativa foi. Apesar do carisma de vários jogadores da época, Artur, mais do que garantir o seu espaço, transformou-se numa referência incontornável no reino da águia.

Em 11 temporadas ao serviço do Benfica, quatro Campeonatos e seis Taças de Portugal. Já no dealbar da década de 60, com o estatuto de internacional, associou o seu nome à conquista da Taça dos Campeões Europeus. Plasmava com chave de ouro uma carreira caracterizada pelo regularidade.



Artur Santos, o primeiro central da equipa que ganharia a TCE de 1960/61

Ostentou várias vezes a braçadeira de capitão, em quase três centenas de jogos na turma principal do Benfica, prova inequívoca da sua faceta de líder e do seu comportamento exemplar. “Nunca marquei um golo, é verdade, mas os tempos, esses, eram outros, sendo que o mais importante era cumprir no plano defensivo e, nesse aspecto, acho que não desmereci”. Não desmereceu mesmo. E bem mereceu também aquela festa de homenagem, a 8 de Outubro de 1961, com o Chaux-de-Fonds, da Suiça, na despedia oficial.

Com uma comovente e militante atitude benfiquista, Artur Santos, na actualidade, é das presenças mais assíduas e notadas nas múltiplas jornadas de confraternização, que amiúde ocorrem pelo país e até pelo estrangeiro. Tudo porque vive e viverá sempre para o seu Benfica.



Épocas no Benfica: 11 (50/61)

Jogos: 284

Títulos: 1 TCE, 4 CN e 6 TP