domingo, 26 de junho de 2016

GRANDES NOMES

FERNANDO CAIADO



A têmpera do Norte também subsidiou, ao longo dos anos, o Benfica centenário. Mais especificamente até, aquele denodo característico das gentes tripeiras, em qualquer zona de intervenção, mas sempre muito saliente no futebol. A menos que tenha havido apenas coincidência, o Benfica substituiu o nortenho Francisco Ferreira, em final de carreira, por Fernando Caiado, um produto das escolas do Boavista.



Foi em Leça da Palmeira, a poucos quilómetros do Porto, que nasceu, em Março de 1925. Tal como os dois irmãos mais velhos, Fernando Caiado haveria de jogar com a camisola axadrezada, a partir da pubescência. Aos 20 anos, já na equipa sénior, destacou-se como avançado-centro, embora não deixasse de se familiarizar com outras posições. Já tido como polivalente, ouvia pela primeira vez A Portuguesa, em 1946, no Estádio Nacional, em jogo bem sucedido (3-1), com a Irlanda.



Quando rubricou um compromisso com o Benfica, rejeitada que foi a oferta do FC Porto, era um jogador experiente. Tinha efectuado 151 jogos no Boavista, marcado 64 golos e, cumulativamente, apresentava um registo de seis internacionalizações. Quis o destino que se estreasse, com 27 anos, na festa de consagração de Francisco Ferreira, para logo saborear o triunfo (1-0) sobre o FC Porto e, mais decisivo ainda, garantir um lugar na equipa orientada pelo argentino Alberto Zozaya. Passou a ombrear com jogadores da casta de Jacinto, Félix, Arsénio, Águas e Rogério.



Como in medio vertus, no meio-campo virtudes exibiu Fernando Caiado, quer no decadente WM, que já no embrionário 4-4-2, introduzido por Otto Glória. Em sete temporadas, garantiu dois títulos nacionais e quatro Taças de Portugal. Irredutível na conduta, chegou a capitão da equipa, apesar de nela coexistirem atletas com mais anos de clube. Inclusive, recebeu a Medalha de Exemplar Comportamento, galardão revelador da sua personalidade, só atribuível, na altura, a jogadores com mais de duas centenas de jogos consecutivos sem qualquer punição.



“Quero uma cerimónia de despedido recíproca entre mim e o público que sempre me acarinhou e não uma festa de homenagem”, suplicou nas vésperas do adeus definitivo. Foi a 17 de Junho de 1957, tinha então 34 anos. Por sua decisão, cinquenta por cento da receita da partida com o Boavista seria atribuída à campanha de obras do Terceiro Anel. Um gesto que tocou a alma benfiquista.

Treinador do Benfica em 1962/63 (vitória numa Taça de Portugal).



Épocas no Benfica: 9 (52/59)

Jogos: 140
Golos: 22

Títulos: 2CN, 4 TP