quinta-feira, 30 de junho de 2016

GRANDES NOMES

MALTA DA SILVA


Amândio José Malta da Silva. Benguela, Angola. 19 de Fevereiro de 1943. Defesa.
Épocas no Benfica: 11 (64/65 e 66/76). Jogos: 193. Golos: 1. Títulos: 7 (Campeonato Nacional) e 2 (Taça de Portugal).
Internacionalizações: 5.





Procedente de Benguela, a 26 de Setembro de 1963, com 20 anos feitos, desembarcou em Lisboa, capital da então Metrópole, um jovem considerado promitente, Malta da Silva de seu nome. Em Angola, havia jogado futebol e basquetebol, no Portugal de Benguela, clube da cega predilecção do seu pai. Descoberto por olheiros do Benfica, de pronto recebeu guia de marcha.

Os primeiros anos, na mítica década de 60, não foram pêra doce. A competição pelos lugares ao sol de frívola nada tinha e, por essa altura, a experiência era mesmo a mãe de todas as coisas. O tirocínio parecia infinitamente prolongado, épocas a fio durou. Malta da Silva não esmoreceu. Afina, como reza o provérbio macua, o galo não canta sem amanhecer. E só na temporada de 70/71 se fez dia.



Vivia-se o inicio do consulado Hagan, germinava a equipa-maravilha. Malta da Silva, a lateral-direito e já não central, integrou a primeira convocatória. Passou a ser recorrente. Enterrados estavam os tempos de ansiedade recalcada, um jogador fino no trato da bola passava a vingar. Era resoluto e sacrificado. Era vistoso e dinâmico. Com Artur e Adolfo compunha o trio dos melhores laterais portugueses. Os três no Benfica, a emulação era constante.




Jogou até 76/77, completando 11 épocas na Luz. Participou em sete vitórias no Campeonato e em duas na Taça de Portugal. Com naturalidade, não deixou de emprestar os seus créditos à Selecção. Foi com Jimmy Hagan que atingiu maior notoriedade, talvez na altura em que o lote de jogadores do Benfica tenha sido o mais extraordinário de todo o historial centenário.



“Gostaria de ter sido campeão europeu”, confessa. Quem não gostava? Mas na época 71/72, esteve próximo desse desiderato, só que o Ajax levou a melhor numas semifinais pautadas até pelo equilíbrio. “Quando ao mais, penso que cumpri”. Cumpriu mesmo.

Há muitos anos que Malta da Silva acompanha o futebol à distância, ele que até vive quase paredes meias com o Estádio da Luz. Foi um ciclo que se fechou com tampa pesada. Sobra a recordação de um jogador que amou o Benfica e que, em campo, deu muitas e variadas expressões a esse afecto.


ENTREVISTA A MALTA DA SILVA