segunda-feira, 20 de junho de 2016

GRANDES NOMES

VELOSO



António Augusto da Silva Veloso nasceu a 31 de Janeiro de 1957 na localidade de São João da Madeira, tendo despontado para o futebol no clube local, o Sanjoanense onde se iniciou ao mais alto nível na época de 77/78. Logo no 1º ano na equipa principal, aguçou o apetite dos clubes de 1ª linha e rumou na época seguinte ao Beira-Mar onde permaneceu durante duas épocas.


Foi já na longínqua época de 1980/81 que o Benfica “resgata” Veloso do clube Aveirense e aqui começou o que hoje já está extinto – o chamado “amor à camisola”.

Veloso, envergou a camisola encarnada durante 15, sim quinze épocas seguidas, até que em 1994-1995 terminou a sua carreira como futebolista. Durante essas já distantes épocas, Veloso jogou um total de 658 jogos onde marcou 13 golos em todas as competições envergando as cores do Benfica, tendo-se destacado pela sua incrível polivalência, classe em campo, pela sua “raça” e também pela humildade que mostrava dentro e fora dos campos. É hoje um símbolo encarnado do que se poderia chamar da então “mística encarnada”, envergando a camisola das águias como titular indiscutível durante 7 anos – tendo sido claramente um dos grandes capitães do clube da Luz.

Como jogador marcante do futebol Português e do Benfica, tem uma série de curiosidades interessantes, que passo a referir:


-Foi seleccionado para Mundial do México ’86, no entanto, “caíu” nas malhas do doping numa história ainda hoje muito estranha, contudo viu provada a sua inocência com a respectiva contra-análise. Este episódio tirou o lugar a Veloso, e em sua substituição viajou o portista Bandeirinha, que foi de forma caricata, literalmente acordado de madrugada e enviado directamente para o aeroporto;

– Foi o eterno responsável pelo famoso “penalty da Final de 88 no Neckerstadion, em Estugarda, que deu a vitária aos holandeses do PSV Eindhoven, num jogo em que o jogador do momento no Benfica – Diamantino nao jogou, pois tinha partido a perna contra o V. Guimarães umas semanas antes;

– “Falhou” a Final da Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1989/90 contra o AC Milan por castigo (cartões amarelos).

– Protagonizou a “proeza” de no jogo da primeira mão das meias-finais em França contra o Marselha tirou uma bola de dentro da baliza com a mão, que foi quase tão importante como a mão de Vata para chegar à final da competição;

– Conseguiu estabelecer o record de pela 3ª vez em 3 finais disputadas ganhar a Supertaça, tendo sido o único jogador do Benfica a consegui-lo;


António Veloso   O Eterno Capitão- Abandonou o futebol na época 1994/95, quando já tinha uns incríveis 38 anos, perante a recusa de jogar mais 1 ano do então treinador “renovador” Artur Jorge que também lhe recusou uma despedida com um golo. No seu ultimo jogo como profisisonal para o campeonato dessa época (Benfica 1 – Braga 1) em que o Benfica teve direito a um penalty, e o público, sabendo que era o último jogo do capitão, pedia que fosse ele a marcar o penalty (já perto do final da partida numa altura em que o Benfica perdia 1-0). O desejo não foi satisfeito por Artur Jorge e o craque brasileiro Edilson concretizou a penalidade;

A nível de representações pela Selecção Nacional, Veloso teve 40 internacionalizações e aqui mostrou bem o seu estilo “à antiga” como defesa lateral direito, extremamente acertado e com pouca tendência ofensiva (era raro vê-lo a ir à linha e a cruzar), pautava pelo rigo defensivo e pela coordenação de toda a defesa encarnada – prova disso o facto de nunca ter marcado 1 golo pela selecção das quinas.

Numa carreira recheada de episódios, não poderia faltar o palmarés deste que para muitos representa o então chamado – “jogador à Benfica”:

7 Campeonatos Nacionais – 1980/81, 1982/83, 1983/84, 1986/87, 1988/89, 1990/91 e 1993/94 (S.L.Benfica)
6 Taças de Portugal – 1980/81, 1982/83, 1984/85, 1985/86, 1986/87 e 1992/93 (S.L.Benfica)
3 Supertaças Cândido de Oliveira – 1979/80, 1984/85 e 1988/89 (S.L.Benfica)
Vice-Campeão Taça UEFA – 1982/83 (S.L.Benfica)
Vice-Campeão Europeu – 1987/88 (S.L.Benfica)

Actualmente, Veloso é treinador do Atlético de Malveira, depois de ter sido em 2000/01 -Treinador-Adjunto no Benfica e em 2001/02 -Treinador (Equipa B) também dos encarnados.


António Veloso é ainda hoje um dos belos jogadores que deixa saudades. Todos concordamos que não era um primor em qualidade técnica, um “Roberto Carlos” a apoiar o ataque, mas sentia a camisola do Benfica como ninguém. Destaco a sua garra que arrepiava o 3º anel da Luz, em que por vezes até rangia os dentes para tirar a bola naquele bom velho estilo do “passa a bola, não passa o jogador”.Foi sobretudo um verdadeiro exemplo “à antiga” de longevidade como jogador no clube encarnado, que permanecerá para sempre no livro dourado do clube da Luz e de todos os Portugueses.




O ETERNO CAPITÃO



FESTA DE HOMENAGEM A VELOSO E ANDRÉ