quarta-feira, 8 de junho de 2016

GRANDES NOMES

PIETRA


Era o Minervas para os companheiros de equipa. Talvez fizesse mais sentido que o fosse para os adversários. É que os enervava a valer. Pela sua pose, sempre de cabeça levantada. Pela sua técnica, colando a bola aos pés. Pela sua velocidade, galgando espaços amplos. Pela sua tenacidade, incapaz de fazer gazeta. Minervino Pietra não era um jogador naif. Pietra era um jogador de eleição. Que adorava desafios. Para vencer.


Ganhou expressão e tarimba no Belenenses. Esteve na equipa de Scopelli que foi vice-campeã nacional, em 72/73, a 18 pontos de distância do Benfica. Chegou, meritoriamente, a internacional A. Na Luz, a partir de 76/77, com John Mortimore, disparou para campanhas fulgurantes. Deve ter actuado em todas as posições, com excepção de ponta-de-lança ou de guarda-redes, tão vincada era a sua polivalência e beneficiado pelo facto de ser ambidextro.

No seu tempo, o Benfica não hegemonizava já se forma absoluta o futebol português. Daí que a tarefa fosse mais ingente ainda. Pietra saiu-se bem. Numa década exacta em tons de vermelho, ganhou quatro Campeonatos, cinco Taças e duas Supertaças, ultrapassando as três centenas de jogos oficiais. Enquanto isso, na Selecção, evoluiu em 28 circunstâncias, lamentando-se “por não ter ido ao Europeu de França, numa altura em que estava com as faculdades intactas” e muita experiência acumulada.
  

Porque os palcos europeus foram outros, de Pietra fica a grata recordação de uma eliminatória da Taça dos Campeões, em 77/78, frente ao B 1903 Copenhaga. O Benfica venceu as duas mãos pelo mesmo resultado (1-0). Os golos, esses, foram ambos assinados por Pietra. Também participou na espectacular campanha da Taça UEFA, em 82/83. Fez o pleno, 12 jogos foram. Ficou o amargo de boca, frente ao Anderlecht, vencedor da competição.

Concluiu a carreira, em Abril de 1986, num jogo com o Belenenses, no Restelo. Viu o cartão vermelho na partida, talvez crispado por ter chegado ao fim da rota. Nesse dia, cresceu-lhe como por encanto a alma benfiquista.


Vitórias e Património - Minervino Pietra