sexta-feira, 8 de julho de 2016

GRANDES NOMES

RICARDO GOMES


Sustentam os especialistas da coisa redonda que uma equipa deve ser edificada de trás para a frente. Um conceito que encerra já muito de modernidade. No Benfica, perante esse exercício, que de retórica não é, saltam logo à memória os nomes de Félix, de Germano, de Humberto Coelho. Também de Mozer, de Aldair, de Gamarra. E forçosamente, de Ricardo Gomes, o primeiro jogador que, não tendo chegado ao mundo em Portugal ou nas colónias, a braçadeira de capitão envergaria. Líder congénito, impunha de forma espontânea a sua autoridade, sem levantar a voz, sem espalhafato, sem jactância. Sabia cofiar as hostes, pioneiro no exemplo. O exemplo de um defesa imbatível.



Após ter chegado à final da Taça dos Campeões de 87/88, o Benfica perdeu, no ano seguinte, Dito e Rui Águas, depois de uma vil tramóia, congeminada em gabinetes nortenhos. Lamentava-se Toni, então treinador, que lhe haviam dado “dois tiros no porta-aviões”. Ferido o orgulho da águia, fria foi servida a vingança. Ricardo Gomes, pedra basilar do Fluminense e da selecção do Brasil, aterrava em Lisboa, rumo à vitória.
  



Debaixo se sol algarvio, abriu as hostilidades, pela primeira vez, frente ao Portimonense, na terceira ronda do Nacional, que o golo de Vata transformou em sucesso. Seguiu-se uma campanha quase sem mácula. O Benfica recuperaria o titulo nacional. Ricardo Gomes fez 31 jogos e apontou oito golos, quase todos decisivos, naqueles últimos minutos de assomo da onda vermelha. Com Mozer ao lado, no centro da defensiva, em 38 encontros, apenas 15 (!) bolas sofridas.



Desfeita a melhor dupla de sempre, recepcionou outro compatriota, também internacional, de seu nome Aldair. O Campeonato escapou, mas a presença na final dos Campeões (0-1), frente a um super-Milan, era sinal indicativo da vitalidade competitiva do clube. De resto, no ano seguinte, novo titulo nacional para o Benfica, com nove golos de Ricardo Gomes na prova.




Uma mala cheia de francos levou-a até à Cidade Luz, em representação do Paris Saint-Germain. Regressou em 95/96, 45 vezes internacional pelo escrete canarinho, sob o sábio e ternurento comando de Mário Wilson. No Jamor fez o aceno definitivo. Em glória.

Quatro épocas apenas jogou Ricardo Gomes no Glorioso. Só que mais pareceu uma eternidade, tão dominantes e sedutores foram os seus tempos. Agora, parece uma miragem. Assim se faz também o sortilégio do Benfica.

Épocas no Benfica: 4 (88/91 e 95/96)
Jogos: 140
Golos: 27
Títulos: 2CN, 1TP, 1ST


UM DOS GOLOS DE RICARDO PELO BENFICA