domingo, 26 de junho de 2016

GRANDES NOMES

PALMEIRO



Por causa de Aljubarrota, das fronteiras e de outras demandas, secular é a rivalidade luso-espanhola. A 3 de Junho de 1956, a táctica não era a do quadrado, antes o WM. Francisco Palmeiro apontou, com as cores nacionais, um hat-trick à Espanha, no triunfo por 3-1. Na época seguinte, sem embargo da derrota, haveria de marcar o primeiro golo europeu do Benfica, ante o Sevilha (1-3), na primeira eliminatória da edição de 57/58 da Taça dos Campeões. Assim se fez também destacado hermano da confraria vermelha.

TCE - 1957/58 SEVILHA 3 BENFICA 1
(Golo de Palmeiro)



Palmeiro respirava benfiquismo desde a nascença. Do Arronches, clube natal, deu o salto de gigante. Tinha 21 anos quando se guindou à equipa de honra, por indicação de Ribeiro dos Reis, numa partida confraternal perante o Independente de Buenos Aires. Era por essa altura interior-esquerdo, mas Otto Glória fixou-o a extremo no mesmo quadrante, ainda que mais vezes viesse a jogar à direita.



Dotado de grande capacidade nas mudanças de velocidade, rápido na execução, caracterizava-se também pela perícia nas frequentes diagonais. De marcação difícil, inquietude aos adversários suscitava. Venceu três Campeonatos e outras tantas Taças de Portugal, em oito anos de exercício benfiquista. Começou com Rogério, Félix, José Águas, Arsénio, Ângelo e Caiado. Recepcionou Coluna, Costa Pereira, Cavém, José Augusto, Germano, Cruz e… Eusébio. Ainda pertencia aos quadros do clube na época 60/61, a quando da primeira grande conquista europeia. Não participou já na campanha, eram outros os tempos, interditas as substituições. “Claro que sinto mágoa por não ter sido campeão da Europa, seria como fechar a carreira com chave de ouro”. É verdade.




Realizou 117 jogos oficiais com o emblema da águia, valorizados também por 36 remates bem sucedidos. Muitos outros fez em desafios particulares, ainda que um deles tivesse um sabor especial. Foi a 1 de Dezembro de 1954, na inauguração do antigo Estádio da Luz, num cartaz ao qual se associou o FC Porto. Efusivamente saudado foi esse primeiro de largas centenas de momentos transcendentes que a velha Catedral acabou por conhecer em meio século de vida.



Francisco Palmeiro adoptou a perspicácia, o inopinado e a destreza, no ritmo crescente da sua abordagem mental e táctica. Jamais dispersou o talento. E assim enriqueceu o manual dos melhores jogadores do Benfica.



VIDEOS


Palmeiro e os "Calabotes" que existiram



Palmeiro e Travassos no programa de TV em 1984