quinta-feira, 23 de junho de 2016

GRANDES NOMES


NETO



José António Conceição Neto. Montijo. 5 de Outubro de 1935-1999. Médio.
Épocas no Benfica: 8 (58/66). Jogos: 155. Golos: 6. Títulos: 4 (Campeonato Nacional), 3 (Taça de Portugal) e 2 (Taça dos Campeões).
Outros clubes: Montijo.


Platão dizia sobre o atleta Academo que “não foi bom porque ganhou, foi um herói porque se esforçou”. E poderia dizê-lo sobre Neto. Bicampeões como Germano, como Coluna, como José Augusto, como Águas, também Eusébio e Simões, eram bons porque venciam. Já Neto, como Saraiva, como Serra, era bom porque, menos talentoso, fazia trabalho também menos vistoso, menos empolgante, menos bonito, mas seguramente imprescindível. Por vezes, mais nobre até. Sempre assim foi, uns emprestam arte, outros emprestam nervo, na ambivalência de um colectivo.

Nasceu a 5 de Outubro de 1935, no dia em que se comemoravam as Bodas de Prata da Implantação da República. No Montijo, na margem sul, campo privilegiado de recrutamento dos interpretes para as galas benfiquistas. Chegou ao clube em 58/59, na quinta época consecutiva de Otto Glória. Perdeu o Campeonato em igualdade pontual com o FC Porto, mas logrou vencer a Taça de Portugal, já sob a orientação de José Valdivieso, perante o mesmo adversário, mercê do fulminante golo de Cavem, 15 segundos após o inicio da contenda. Era o seu primeiro triunfo.

No ano seguinte, após a viagem de Béla Guttmann, das Antas para a Luz, conquistou o Nacional, com apenas uma derrota, na última jornada, em casa, frente ao Belenenses. Nessa altura, mostrava-se um médio-direito robusto, galhardo, sustentáculo da valia defensiva na zona central do campo.
Nas épocas (60/61 e 61/62) da glória suprema, Neto participou nas duas campanhas vitoriosas, apesar de só ter actuado na primeira final da Taça da Europa com o Barcelona (3-2), ainda sem Eusébio. Jogo comovente foi. Jogo superlativo. “Que raio de trabalho eu tive, acho que só não defendi com os dentes!”, haveria de retrospectivar o guarda-redes Costa Pereira.
Neto continuou no Benfica até 65/66, mas já como pálido campeão. Na factura, apresenta 155 jogos, distribuídos por oito temporadas. Venceu quatro Campeonatos, três Taças de Portugal e duas Taças dos Campeões Europeus. Não chegou a ser internacional A, que os tempos eram de menor actividade da equipa das quinas e a concorrência ainda mais que forte.
Morreu no final da década de 90, senhor da sua banca de peixe no Montijo. Senhor também de um passado de respeito. O de Neto-que-não-era-artista. Tão ou mais importante, o de Neto-que-tinha-nervo-de-campeão.