domingo, 12 de junho de 2016

GRANDES NOMES

ÁLVARO


Não deixa de ser intrigante ler o nome do Cracks de Lamego na lista de títulos nacionais de futebol juvenil. Era lá que jogava, ainda menino, o raçudo Álvaro. Está talvez explicado. Como explicado está o sucesso que teve na Académica, já sénior, ao ponto de suscitar a cobiça dos mais prestigiados emblemas desportivos da nossa praça. Ganhou o Benfica a corrida. E ganhou também um jogador modelar. Sério e combativo. Que não era nenhum prodígio. Sabia-o bem. Como sabia até onde poderia ir. Optimizou os seus recursos. Marcou território. E fez história.


Começou a vestir a farda vermelha na época 81/82. Veloso e Pietra tinham, nessa altura, o grosso das despesas defensivas nas laterais. Tarefa assaz difícil, a de Álvaro, perante dois companheiros tão experimentados. Nos dois primeiros anos, jogou de forma algo descontinua, mas raramente deixava de integrar as convocatórias. Sempre paciente e abnegado.

Em 83/84, protagonizou a sua mais sensacional temporada. Foi o único totalista da equipa nos jogos do Nacional, que o Benfica ganhou de forma categórica. A asa canhota, com Álvaro e Chalana, aos adversários não dava nunca sinais de misericórdia. Era um Benfica à esquerda, um pouco coxo até, tão grande era o pesos dos dois jogadores no edifício táctico. Assim foi também na Selecção Nacional, no Europeu de França, desse mesmo ano. À boleia de Chalana, mas com muito mérito pessoal, Álvaro colheu a preferência de muitos jornalistas internacionais que o reputaram como sendo o melhor lateral-esquerdo do Velho Continente.

Manteve-se no auge até ao final de 1988. De permeio, jogou o Mundial do México, no flanco dextro da cortina defensiva, relegando o portista João Pinto para o banco de suplentes. No Benfica foi campeão nacional quatro vezes, conquistou outras tantas Taças de Portugal e uma Supertaça Cândido de Oliveira.


Anos mais tarde, como treinador adjunto, marcou a retoma alvi-rubra, com a Taça (2003/2004, ao lado de Camacho) e o Nacional (2004/2005, junto a Trapattoni).

Para além da final da Taça UEFA, disputou o embate decisivo dos Campeões, em 1988, frente ao PSV, mas já não marcaria presença, dois anos depois, na discussão do título europeu com o Milan. Foi quando Eriksson optou pelo defesa central Samuel, colocando-o à canhota, com Álvaro, Fernando Mendes e Fonseca, todos defesas esquerdos, no plantel. “Não ter jogado essa partida foi um dos momentos mais tristes da minha carreira”, reconhece.

Despediu-se no termo da época 89/90, com o Belenenses, no Estádio da Luz. Dele ficaram vestígios, mais de uma década depois reforçados, do seu amor à camisola.



Épocas no Benfica: 9 (81/90)

Jogos: 263
Golos: 9

Títulos: 4 CN, 4 TP e 1 ST

Regressou ao Benfica como treinador-adjunto.