quinta-feira, 16 de junho de 2016

GRANDES NOMES

KAREL POBORSKY

 

Karel Poborsky. Jindinchuv/Hadec, República Checa. 30 de Março de 1972. Avançado.
Épocas no Benfica: 4 (1997/2001). Jogos: 112. Golos: 17. Outros clubes: Budejovice, V. Zizkov, Slavia Praga, Manchester United, Lazio e Sparta Praga. Internacionalizações: República Checa.
A seu respeito, espera a família benfiquista que tenha sido o último dos abencerragens. O último dos grandes jogadores que, sarcasticamente, nada ganharam no clube. Karel Poborsky participou em quatro temporadas de luto competitivo. Mesmo com aqueles pés chamejantes. Mesmo com aquele jeito de máquina de costura, do tempo das avozinhas, mas dotada de inteligência, com que furava o pano defensivo dos oponentes. No seu ar de artista, combinação de jogador efusivo e profano, parecendo dizer, tal como um dia Michael Laudrup, que “no futebol não há nada pior do que correr atrás de uma bola”. Com ela, então sim, tínhamos homem.



Poborsky havia entrado, em 1996, para a história do futebol português. Melhor, para a contra-história. Com aquele chapéu de aba larga, trocista, que liquidou Vítor Baia e as esperanças de Portugal no Euro da Inglaterra. A mal da Nação. A bem da sua República Checa, cujas cores defendeu ao longo dos anos, através de grandes desempenhos, atingindo a excelsitude da centena de internacionalizações.
Proveniente do Manchester United, chegou ao Benfica, na presidência de João Vale e Azevedo, decorria a época de 96/97. Na mesma semana, quase sem se treinar, apresentou-se na Antas, frente ao FC Porto. Perdeu o Benfica (2-0), mas o treinador Graeme Souness ficou agradado e o checo tornou-se num dos inapeáveis do onze. Ainda na primeira temporada, já em plena segunda volta do Campeonato, participou com golos nos triunfos perante o Sporting e o FC Porto, dando mostras de uma especial queda para as jornadas mais mediáticas.



Fez 112 encontros com a camisola garrida, apontando 17 tentos. Depois de Souness, trabalhou sob o comando de Shéu, Jupp Heynckes, José Mourinho e Toni. Em ano de final de contrato, despediu-se no Algarve, num embate da Taça de Portugal, com o Louletano. Três dias tinha apenas o novo século.
Karel Poborsky chegou a ser a imagem de marca do Benfica. Exemplo da qualidade, virtuosismo. Os adeptos dele se enamoraram, imputando-lhe a responsabilidade de construir a diferença. Por norma, não defraudou. Pena que o edifício colectivo acusasse insuficiências várias. Por isso, no Benfica só espreitou à janela do sucesso, que para mais não davam os frágeis alicerces. Assim percorreu sem glória a estrada vermelha, mas numa condução que deixou resquícios de beleza.


POBORSKY



THE LEGENDARY