quinta-feira, 14 de julho de 2016

GRANDES NOMES

RUI ÁGUAS



Rui Águas, O Príncipe.

O que se pode dizer sobre ele? Bem, se pudesse escalar os meus jogadores favoritos em posições-tipo, Rui Águas seria o mais sério candidato a figurar na posição de avançado. Foi um dos meus ídolos de sempre, tive vários... Um para cada posição claro...

Tenho muita dificuldade em dizer que Portugal já teve outro grande avançado depois dele abandonar a carreira. O pai, José Águas teve a felicidade de ter um sucessor que foi o José Torres. O José Torres foi rendido por Nené. Depois de Nené (e Jordão porque não), o futebol português teve Gomes e Manuel Fernandes que foram sucedidos por Rui Águas... Depois de Rui Águas nada aconteceu.



A geração de Queirós não produziu avançados de luxo mas sim médios defensivos e ofensivos e apoiantes de luxo ao avançado. João Pinto era segundo avançado. Não me falem de Sá Pinto. Nem quero ouvir a palavra Pauleta (por favor). Nuno Gomes era segundo ponta de lança... Ronaldo idem. O Éder? 

Não houve mais ninguém como o Rui Águas. Pode-se afirmar que abraçou o legado do pai mas o Rui não foi a extensão do braço ou da cabeça de José águas. Foi sim RUI, simplesmente o maior de todos os que eu vi com os meus olhos.




A genética é um conceito complexo. Talvez Rui tenha herdado algo de substancial do seu pai: Eram ambos Benfiquistas, foram os dois avançados e ambos tinham um firme espírito de equipa, vinham muito atrás ajudar o meio campo (talvez mais o Rui). Um dos factores que julgo poder ajudar a diferenciar o pai do filho é que Rui praticou voleibol na sua adolescência, e foi uma coisa a sério. Daí aquele seu tempo de salto fantástico que era fortíssimo na impulsão, manutenção e explosão final... Que o fazia ganhar bolas a adversários mais altos...

Tal como o pai, também tinha o dom da visão periférica e tremenda capacidade projectiva, daí estar virado para a linha lateral olhando para a bola (12 horas) e rematar/cabecear essa mesma bola para outra qualquer hora onde a baliza estivesse.

O Rui não vingou nas camadas jovens do Benfica e foi à sua vida para evoluir num tal de Cultural da Pontinha e... No sporting, pffffffffff... O resto do seu trajecto até chegar ao Benfica, podem ler nestes artigos:
  
Fala-se que o Sporting e o Porto o quiseram ir buscar a Portimão. Mas foi o Benfica quem venceu a corrida...

A primeira fase no Benfica foi de ascensão, teve de destronar Michael Manniche o que não era tarefa fácil mas depois só o céu foi o limite e ele lá chegou em 1987-1988 na tal meia-final da Taça dos Campeões Europeus frente ao Steaua de Bucareste.

Depois, aconteceu o tal caso. Um verdadeiro terramoto nos corações dos Benfiquistas: Rui Águas vai para o Porto. 

Agora, à distância de quase trinta anos, apetece-me dizer que o Benfica, mais concretamente Gaspar Ramos, se fiou muito no historial da família Águas e olhou com indiferença o individuo. Também se confiou em demasia num tal pacto de não agressão entre os três grandes... Conta-se que, em desespero pelo conhecimento do interesse alheio, foi feita uma nova proposta de renovação do Benfica que continha melhorias salariais mais prémio de assinatura. Mas Rui Águas, ao que parece, já tinha dado a sua palavra .

Também é público que haviam propostas de França e de Itália (duas, uma da Fiorentina de Eriksson e outra de um tal de Pescara).

Diz-se que a proposta do Pescara da série A, até era uma uma proposta superior à do Porto...

Também se conta que o feito portista se deveu ao facto de o Benfica ter contratado Ademir ao Guimarães numa altura em que o porto estava prestes a finalizar a sua transferência. Vai daí que o pessoal do norte se decidiu vingar...

Talvez avesso a idas para longe uma vez que era pai de duas crianças, Rui Águas aceitou a proposta do Porto onde foi ganhar onze vezes mais do que ganhava no Benfica... Se colocarem na equação o facto de que haveriam jogadores na segunda divisão a ganhar mais do que ele no Benfica... É de engolir a seco não é?



Foi coisa que abalou o Benfica...

O certo é que Rui Águas espalhou a sua magia... de forma menos reluzente lá no norte. E se foi lá campeão uma época, no entanto, não conseguiu marcar um único golo ao Benfica, valha-nos isso...

Até há uma história curiosa que se conta quando o Rui ia jogar contra o Benfica na Luz: Ao anunciar o alinhamento das equipas, o speaker da altura dizia sempre "com o nº 9 Rui"...

Inteligente o Rui, afirma-se que exigiu uma cláusula no seu contrato que lhe facilitaria a saída quando ele o quisesse... Esteve no Porto (clube condenado por corrupção) duas épocas a ganhar onze vezes mais do que ganhava no Benfica e talvez pudesse ter lá continuado até ao fim da carreira a ganhar vinte ou trinta vezes mais... A verdade é que, digo eu, o coração estava na profissão certa mas no lugar errado. A verdade é que a cabeça terá começado a notar na pele que ali, a base do sucesso eram coisas "estranhas" 



No final dessas duas épocas...

Sim, era o futuro que estava ali na mão. Uma vez que o Benfica queria regressar rápido e de forma equilibrada mas pujante ao título de Campeão Nacional... E continuar a dar cartas na Europa!

Quando ele regressou ao Benfica com Eriksson e Toni no leme. Ricardo Gomes na defesa com Veloso, José Carlos... Thern, Hernâni, Valdo, Schwarz, paulo sousa, Paneira, Pacheco, César Brito, Isaías, Vata e Magnusson? Ufa! Que coisa... Era de rebentar!


E o Benfica regressou ao topo do pódio do futebol português, nessa época de 1990 1991.

Rui Águas até foi o melhor marcador do campeonato nacional com 25 golos, feito que o país pôde assistir em directo na Rtp. Era a última jornada do campeonato e Rui estava a disputar o troféu com domingos taco-a-taco, tendo o portista desatado a marcar golos ao Guimarães de forma estranha... E Rui Águas nada... O Benfica nada e todos jogavam para o Rui mas nada.

Nada até ao final onde, depois de Magnusson ter aberto o marcador, Rui fez o dois-zero e já com um terço do estádio bem junto ao relvado pronto para a invasão... Neno pontapeou, Magnusson assistiu e Rui marcou o terceiro... Apoteótico!

José Águas até desceu ao balneário para as objectivas retratarem este momento histórico... De facto um momento de emoções avassaladoras, pai e filho como os melhores marcadores. O sorriso de José Águas como que a agradecer e a dizer que "Eu sabia que ias conseguir".

Na época seguinte, Rui Águas foi visitado pela senhora lesão. Uma atrocidade para tão valioso avançado.

Lembro-me perfeitamente do lance - entrada por trás sem punição. Lembro-me da preocupação... Do Rui a levantar o braço e a fazer um OK para que toda a sua família... E adeptos ficassem menos preocupados. Fiquei com a ideia de que independentemente do valor do plantel, iria ser mais difícil... E foi!



Rui só regressou à competição no final da época e o Benfica teve de se valer de Isaías, Iuran, Magnusson e César Brito. Talvez tivesse sido melhor com o contributo do bola de prata, talvez! O segundo lugar no campeonato e uma meritória campanha na PRIMEIRA EDIÇÃO DA CHAMPIONS, foram os resultados finais daquela época...

O corpo humano regenera-se destas coisas mas não volta a ser o mesmo. Rui sempre tinha sido um jogador corajoso e sofredor: Na tal meia-final dos campeões frente ao steaua, o Rui jogou cheio de dores pois sofreu uma fractura nos ossos do dorso... Em 1992 1993, foi ainda o avançado principal do Benfica ... Em 1993 1994, já com 34 anos, marcou golos importantes mas a sua carreira no Benfica e ao mais alto nível, terminou ali. Terminou como campeão!