quarta-feira, 22 de junho de 2016

GRANDES NOMES

VALDO "O Mágico"


"(...)o Benfica é como um filho que deixei para trás e no qual penso imensas vezes. Por isso é enorme o desejo de revê-lo."
  


  
Nome Completo: Valdo Cândido de Oliveira Filho
Nacionalidade: Brasileira
Local de Nascimento: Siderópolis / Santa Catarina
Data de Nascimento: 12 de Janeiro de 1964
Posição: Médio-Ofensivo /
Altura: 1,73m
Peso: 67 Kg
Em Portugal: 184 Jogos / 28 Golos (em todas as competições).
Selecção Brasileira: 65 Jogos / 11 Golos (em todas as competições)

  


Valdo foi dos melhores jogadores estrangeiros que passaram no Benfica, espalhou classe nos relvados ao serviço do nosso Glorioso, é um dos que faz parte da galeria dos imortais deste nosso Benfica.

Chegou ao Benfica em 1988 e, depois de sair para o PSG, em 1991, voltaria à Luz em 1995. Espalhou magia até 2004, altura em que, aos 40 anos, decidiu finalmente terminar a carreira. 
"Já tinha estado em Lisboa antes disso. Salvo erro foi a 19 de Dezembro de 1987, depois de um jogo amigável entre as selecções de Brasil e Alemanha, em Brasília. Estava de férias e o Manuel Barbosa, com aquela lábia, disse para eu vir cá só para conhecer o clube. Quando saí do aeroporto, caramba... Um montão de jornalistas! Tiraram-me fotos com a águia e tudo, imaginem quando voltei para Porto Alegre [risos]... Portanto quando vim em definitivo, em 1988, foi tudo muito tranquilo porque conhecia o clube. Já não me assustei tanto com a imponência do velho Estádio da Luz."

"Quem era o líder no balneário?
- O Veloso foi sem dúvida um grande capitão, mas não havia uma só voz. Cada um tinha algo a dizer. O Ricardo Gomes, que dispensa apresentações, o Vítor Paneira... O Schwarz falava pouco mas também se expressava à sua maneira, dentro do campo, com aquele estilo aguerrido que não dava uma bola como perdida. E, claro, tenho de mencionar o Mozer, um dos grandes líderes do Benfica quando cheguei.

 - O Rui Costa acabou por ser o seu sucessor.
- Sim. Já tinha feito talvez uns dois jogos com o Rui e o Paulo Sousa. Disse aos dirigentes: Vocês não precisam de ir buscar alguém para o meu lugar, têm o Rui Costa. Eles diziam-me que ele era novo, mas tentei fazê-los ver que quem sabe, sabe e há que começar por algum lado."

"Recorda-se bem da final da Taça dos Campeões Europeus, em 1990, perdida para o Milan?
- Naqueles jogos tudo se decide pelos detalhes. Eles tinham uma grande equipa... Nós também, mas eles... Jogámos de igual para igual, mas o Hernâni, que chamávamos de Mano, ouviu um apito da bancada, hesitou, parou e o Rijkaard furou e marcou.
- Perdeu ainda uma final da Taça de Portugal, frente ao Belenenses.
- Aquela derrota custou-me, até porque tinha pela frente o Baidek, e perder para o Baidek é brincadeira... [risos] Senti um pouco culpado pela derrota porque fui expulso por causa de uma discussão com o árbitro Alder Dante."

 "Lembro-me de um jogo contra o Marítimo, aqui na Luz, em que estava a chover muito, e o periquito, alcunha que dei ao Eriksson, disse que todos tinham de jogar com pitons de alumínio. Mas eu nunca joguei de pitons de alumínio na minha carreira, nunca. Lá tive de entrar assim, mas parecia que estava de saltos altos [risos]. Fui à linha lateral e disse ao Luís, o roupeiro, para me trazer umas botas com pitons de borracha. Ele foi buscar e a partir daí comecei a jogar normalmente. No fim, o Eriksson só dizia: Porca miséria, nunca mais digo nada ao Valdo..."

"João Vieira Pinto, o Pintinho. Sempre tive curiosidade de jogar com ele, e um dos motivos porque voltei ao Benfica foi por causa dele. Era um jogador diferente dos outros, pequeno mas atrevido e muito inteligente, com notável visão de jogo. E o que mais me impressionava era o poder de elevação dele. Para mim, o João está entre os ilustres do futebol português, ao lado de nomes como Figo, Futre e o pequeno génio, o Chalana, que continua a ser o meu preferido. Aliás, quando eu vim para o Benfica na primeira vez, o Zico disse-me: Vais encontrar lá um tipo chamado Chalana. Joga muito"
Valdo em entrevista ao jornal Abola
 
Pura classe! Valdo Cândido Filho destacou-se como um jogador de fino recorte que para além de ser de inesgotável qualidade técnica tinha um espírito de liderança muito próprio dos grandes jogadores que passaram pelo Benfica.

Era um verdadeiro número 10 “à moda antiga” que parecia levitar dentro de campo. Extremamente correcto, dentro e fora das 4 linhas, e um profissional de mão cheia, o talentoso brasileiro espalhou Futebol perfumado em todos os relvados que pisou.
Valdo inundou os relvados portugueses de magia e melhor do que nunca, tratou de mostrar e confirmar todas as qualidades que o fizeram, na opinião de muitos, um dos melhores n. 10 que passou pelo Benfica e um dos melhores em Portugal. Possuía uma excelente técnica a todos os níveis (domínio de bola, passe, remate), visão e organização de jogo, sendo extremamente completo ao ponto de ter sido considerado um óptimo recuperador de bolas.
Era detentor de uma capacidade de passe espantosa e tinha um talento tão invulgar quanto admirável: a cobrança de livres directos, algo para o qual tinha um perfume simplesmente primoroso
De Valdo fica tambem a recordação do operário especializado no jogo das multidões. O perfume dos seus passes. A arte dos seus rendilhados. A música dos seus concertos. Com a magia das suas viagens. Daqueles para quem a vida só dura hora e meia. Assim incendiou degraus e degraus pejados de fãs do seu futebol. Do seu Benfica.

Carreira:

Valdo iníciou sua carreira nas categorias de base do Figueirense, tendo disputado algumas poucas partidas pela equipa profissional, mas com grande destaque, facto que despertou a atenção do Gremio, que o contratou. Seu invejável preparo físico e sua excelente técnica logo o tornaram referência para os adeptos. Após sair do Gremio , o seu futebol acabou por despertar o interesse de vários clubes europeus. Valdo acabou por rumar ao Benfica .

Logo na estreia, em Espinho, no inicio da temporada 88/89, a sua classe parecia não caber no campo. O jogo até deu empate, mas deu Valdo, muito Valdo. Estava encontrado o playmaker. Foi uma temporada deslumbrante. O tridente brasileiro (Valdo, Mozer e Ricardo Gomes) pintava a festa do campeonato a vermelho… verde e amarelo. Foi um triunfo com sotaque. O centrocampista actuou em 28 jogos e marcou cinco golos.


Na época seguinte o Benfica apenas conquistou a SuperTaça – frente ao Belenenses – mas fez uma carreira europeia verdadeiramente fantástica. Aos comandos do sueco Sven-Göran Eriksson, foi conseguida uma presença na final da Taça dos Campeões Europeus, infelizmente perdida frente ao Milan. Ainda assim, Valdo e toda a equipa, confirmaram uma imensa categoria.

Em 1990/91, Valdo sagrou-se de novo Campeão Nacional numa equipa fortíssima que perdeu apenas 1 vez, em Setúbal – época dos famosos 0-2 de César Brito.
A saída do clube foi quase inevitável e a transferência para o PSG deu-lhe novo alento na carreira. Em França, 1 Campeonato e 2 Taças avolumaram-lhe o currículo, já de si bem preenchido.

O regresso à Luz – tão desejado – concretizou-se pelas mãos de Artur Jorge e aos 32 anos ainda fez uma época de grande nível num período negro na história do clube. Destaque para a espantosa exibição na Final da Taça de 1996 – nota 9 no jornal Abola – naquele que foi o seu último título ao serviço do Benfica.

Despediu-se da Luz no ano seguinte, rumo ao Oriente, sempre como patrão… sempre com classe.

A presença no Japão tem contornos dramáticos para o jogador já que é nesse período que Valdo tem conhecimento da morte da sua filha Tatiele de apenas 13 anos, num trágico acidente de viação. Um trauma que nunca esquecerá.

A fase final de carreira é surpreendente pela magnífica longevidade visto que só aos 40 “arrumou” as botas, tendo ainda passagens pelo Cruzeiro – onde ainda venceu um Campeonato Estadual – Santos, Recife, Atlético Mineiro, Juventude, São Caetano e Botafogo
  
Em 2009, Valdo estreou-se como técnico de futebol, dirigindo a equipe do União Rondonópolis, mas acabou demitido, em Fevereiro daquele mesmo ano. no início de 2011, assumiu o comando do Metropolitano Maringá e em junho de ano, assumiu a gerência profissional do Serra Macaense durante o Campeonato Estadual da Série B do Rio de Janeiro. No ano seguinte assumiu a função de treinador dessa equipa.


  
Valdo foi, no final da década de 80 e início da década de 90, uma presença regular na selecção brasileira. Por 49 vezes envergou a “canarinha” a nível oficial tendo feito 4 golos.

Com apenas 22 anos esteve presente no Mundial do México em 1986 mas não foi utilizado em qualquer jogo em virtude da grande mais-valia de Zico. No ano seguinte participa numa Copa América de má memória para o Brasil – não conseguiu a qualificação para a 2ª fase.

Como expoente máximo no “escrete” destaca-se a presença no Mundial de 1990. Acompanhado pelos seus colegas do Benfica – Aldair, Ricardo Gomes e o já transferido Mozer – Valdo foi titular em todos os jogos realizados pelo Brasil em Itália. Como saldo uma vitória frente à Suécia do futuro colega Schwarz por 2-1 e frente à Costa Rica por 1-0, um empate a zero com a Escócia e uma derrota, na 2ª fase, por 1-0 frente à finalista Argentina de Diego Maradona.

VALDO O "MÁGICO"


Destaque ainda para a imaculada vitória na Copa América de 1989 onde, mais uma vez, foi titular indiscutível e municiador das estrelas Bebeto e Romário.
  
Jogos/Golos:
  
1983 - Figuerense - ? Jogos / ? Golos
1984 - Grêmio Porto Alegre - 5 Jogos / 0 Golos
1985 - Grêmio Porto Alegre - 19 Jogos / 4 Golos
1986 - Grêmio Porto Alegre - 27 Jogos / 6 Golos
1987 - Grêmio Porto Alegre - 15 Jogos / 2 Golos
1988 - Grêmio Porto Alegre - 30 Jogos / 6 Golos
1988/89 - S.L.Benfica - 35 Jogos / 5 Golos
1989/90 - S.L.Benfica - 37 Jogos / 4 Golos
1990/91 - S.L.Benfica - 30 Jogos / 5 Golos
1991/92 - P.S.G. - 32 Jogos / 3 Golos
1992/93 - P.S.G. - 28 Jogos / 4 Golos
1993/94 - P.S.G. - 30 Jogos / 2 Golos
1994/95 - P.S.G. - 25 Jogos / 7 Golos
1995/96 - S.L.Benfica - 39 Jogos / 6 Golos
1996/97 - S.L.Benfica - 43 Jogos / 8 Golos
1997 - Nagoya Grampus - 16 Jogos / 2 Golos
1998 - Nagoya Grampus - 10 Jogos / 2 Golos
1998 - Cruzeiro - 30 Jogos / 6 Golos
1999 - Cruzeiro - 26 Jogos / 1 Golo
2000 - Santos - 19 Jogos / 1 Golo
2001 - Atlético Mineiro - 23 Jogos / 1 Golo
2002 - Juventude Caxias - 12 Jogos / 2 Golos
2002 - Grêmio Porto Alegre - ? Jogos / ? Golos
2003 - São Caetano - ? Jogos / ? Golos
2003 - Botafogo - ? Jogos / ? Golos
2004 - Botafogo - 44 Jogos / 2 Golos


VALDO VS OLIVER KAHN




Palmarés:

1 Torneio Palma de Mallorca - 1985 (Grêmio Porto Alegre)
4 Campeonatos "Gaúchos" (Minas Gerais - Estado do Rio Grande do Sul) - 1985, 1986, 1987 e 1988 (Grêmio Porto Alegre)
Vencedor dos Jogos Panamericanos - 1987 (Selecção Brasileira)
1 Taça Stanley Rous - 1987 (Selecção Brasileira)
1 Torneio Pré-Olímpico - 1987 (Selecção Brasileira)
1 Torneio do bi-centenário da Austrália - 1988
1 Copa America - 1989 (Selecção Brasileira)
2 Campeonatos Nacionais - 1988/89 e 1990/91 (S.L.Benfica)
2 Finais de Taça Portugal - 1989 e 1997 (S.L.Benfica)
1 Supertaça Cândido de Oliveira - 1988/89 (S.L.Benfica)
1 Taça de Portugal - 1995/96 (S.L.Benfica)
Vice-Campeão Nacional - 1989/90 e 1995/96 (S.L.Benfica)
Vice-Campeão Europeu - 1989/90 (S.L.Benfica)
Vice-Campeão de França - 1993 (PSG)
2 Taças de França - 1993 e 1995 (PSG)
1 Campeonato de França - 1994 (PSG)
1 Taça da Liga Francesa - 1995 (PSG)
1 Campeonato Mineiro - 1998 (Cruzeiro)
1 Recopa - 1999 (Cruzeiro)
1 Copa Centro-Oeste - 1999 (Cruzeiro)
Vice-Campeão do Brasil (2ª Divisão) - 2003 (Botafogo)
1 Bola de Prata Brasileira (Placar) - 1998 (Cruzeiro)


BENFICA - CELTIC  (GOLO DE VALDO)




"Qualquer lembrança é especial, mas a que guardo mais é a vitória frente ao FC Porto no antigo Estádio das Antas, com dois golos do César Brito onde praticamente nos deu o título de Campeão Nacional." - Comentou Valdo.