terça-feira, 5 de julho de 2016

GRANDES NOMES

RUI RODRIGUES



Como sentiu Rui Rodrigues o encanto de Coimbra na hora da despedida da sua Académica! Era o velho amor, aquele que o terá inibido de mais cedo voar por outros horizontes nas asas da águia. Atrasado chegou ao Benfica, já com 28 anos, internacional feito, jogador maduro. Agridoce, assim foi a estada de Rui Rodrigues no clube. Um portento de técnica, um martírio de lesões.

Garantiu a entrada directa para o top mais da equipa-maravilha de Hagan. Na estreia, no anfiteatro das Antas, a 12 de Setembro de 1971, aquando da primeira ronda do Campeonato, um ciclone vermelho varreu a casa azul, com Eusébio (2) e Artur Jorge a darem maior expressão ao ribombar benfiquista.



Ao lado de Humberto Coelho, na zona central da defensiva, Rui Rodrigues cedo começou a ser reverenciado. Era um virtuoso, com pés astutos e matemáticos. A tarefa jamais terminava quando subtraia a bola aos adversários. Apropriava-lhes, subtilmente, qualquer dose de ambição. Era desmancha-prazeres no momento do desarme, logo virava fazedor de sonhos no inicio da construção do edifício ofensivo. Quem não recorda aquele golo que apontou ao Sporting, em Alvalade, na confortável vitória (3-0) do Benfica? Um golo de costa a costa. Impagável.


Em três temporadas, na Luz, venceu dois Campeonatos. Só não fez o pleno, porque o triunfo, por 5-3, no covil do leão, acabou por não ser suficiente para desalojar da liderança um Sporting menos exuberante, mas à época mais regular. Sopravam, então, os ventos de Abril. Começava também uma nova era no futebol. Rui Rodrigues partiu para o Vitória de Guimarães e para a sua farmácia, que os proventos da bola não davam para facilitar. Ainda regressou ao clube, semiprofissional de facto, muitos anos depois, pela mão de Artur Jorge, responsável de todo o aparelho técnico. Treinou os mais pequeninos. Campeão nacional de infantis foi.



De origem moçambicana, ao nascer tal como Eusébio e Coluna na antiga Lourenço Marques, só não foi mais um africano nas fileiras do Benfica, porque afinal Rui Rodrigues se exibia com singularidade. É que há os inimitáveis e os (muitos) outros. Ele pertencia, coercivamente, à primeira categoria.